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Empreendedor
Nas mãos de terceiros
Por: Débora Remor
A vantagem de terceirizar a área de tecnologia da informação atinge também as pequenas e médias empresas, que podem manter os equipamentos atualizados, garantem a segurança da rede e pagam os serviços conforme a demanda. “Nas pequenas e médias empresas, os funcionários de TI são despreparados e custam caro para o negócio. Gastando entre R$ 300 e R$ 370, é possível contratar suporte de até dez horas por mês de atendimento, e o equipamento fica alocado na empresa para cerca de dez usuários”, exemplifica de Paula, que declara ter 32 empresas clientes, na sua grande maioria de médio porte. “Outro diferencial para as PMEs é que os computadores são usados como ferramentas para os funcionários, elas não precisam comprar os equipamentos e não perdem com o descarte depois. Quando a SuperCom atualiza o parque tecnológico da empresa, coloca sempre softwares originais”, reforça. Com a contratação de serviços de apoio (limpeza, jardinagem, manutenção elétrica, por exemplo), de atividades intermediárias (distribuição, embalagem, logística) e de tecnologia avançada (TI ou financeiro), é preciso gerenciar todas essas empresas terceirizadas. Foi aí que surgiu a quarteirização, que ainda acompanha os processos e identifica desperdícios em cadeias terceirizadas, atuando quase como uma auditoria. “A quarteirização é uma ferramenta de gestão realizada por especialista que possibilita a redução do custo da operação da terceirizada”, conceitua Morales, da Asserttem. Em 2003, por exemplo, a Natura contratou a Foco para coordenar o redesenho das caixas de transporte dos produtos, gerando economia de US$ 300 mil por ano com a economia de compra e estoque de matéria-prima das embalagens. A quarteirização foi implantada há menos de uma década e é utilizada principalmente por grandes empresas. Para as de menor porte, o mais indicado é contratar esse serviço como consultoria. Toda essa onda de enxugamento da estrutura organizacional, com empresas parceiras trabalhando para o “ganha-ganha”, tem o outro lado da moeda: falta de identidade da empresa, funcionários não preocupados com a qualidade e clientes insatisfeitos. Seja por erro na terceirização, seja por mudança na estratégia, algumas entidades estão trazendo os serviços contratados de volta ao corpo de funcionários, numa inversão do processo de terceirização. As principais razões apontadas para a desterceirização ou outsourcing reverse são a aproximação com o cliente e o envolvimento do funcionário com a companhia. Esses foram os argumentos usados por indústrias do ABC paulista, principalmente do ramo automobilístico, e até de empreiteiras como Ormec e da BLG, fornecedoras da Companhia Siderúrgica Nacional e da Volkswagen, respectivamente. A Unimed Paulistana, na metade deste ano, internalizou o Serviço de Atendimento ao Consumidor para ter pleno controle sobre a operação de chamadas; processo também optado pela operadora de telefonia Brasil Telecom, que vai reincorporar o serviço de call center. A TAM também preferiu admitir funcionários e acabar com os contratos terceirizados para serviços de atendimento. Em 2001, foi a Embraer quem provocou susto nas terceirizadas ao anunciar que desterceirizaria setores da produção de peças para aproveitar funcionários da fábrica que estavam parados. Assim como a transferência de serviço para outras empresas, a primarização de setores também está ligada à melhoria do processo produtivo para aumento da competitividade, razão pela qual estes processos foram implantados. FONTE: |